
A percepção me fazia insone, eu fazia traços, que me traziam riscos, dei por me esquecer. Tudo se tornara escuro, tal a noite. Lembrei certo momento, mas foi rápido, nem deu pra perceber. Observei alguns cantos do quarto, da memória; papéis riscados, tantos em minha mesa. Havia uma mosca, me desviou a atenção, quase esqueci que havia esquecido. Era um assombro, antes pouco notava. Mas aquilo ainda estava ali, em algum canto, não do quarto, da memória.
Ouvi certa vez algo parecido, um garoto, desses que se vê aos montes em qualquer canto, havia esquecido onde estava. Certo momento lembrou o que era, tentou concertar, mas esqueceu novamente e voltou refletir. Era tal qual minha dúvida, só que muito mais trágico, porém menos enlouquecedor: eu sei do que esqueci. Nesse momento, com o bico de uma caneta que havia na mesa eu risquei, fiz uma linha, mas logo me recompus: amassei, joguei fora. Não podia ser assim, primeiro era idéia, depois era a frase, depois eram os riscos; só pode ser assim. Mas foi uma tentativa.
Esperei horas, não desistiria, a idéia tinha sido boa. Disso me lembrava. Lembrava também que era sobre alguma coisa concreta, algo político, talvez artístico. Vi em pensamento também que no exato instante que fui fazer os riscos, me esqueci. Maldita idéia. Boa idéia seria se todos os bons pensamentos não precisassem ser escritos, já se concretizassem ali, dentro de um papel, no instante em que a lâmpada da idéia se acendesse em nosso espírito. Se ao menos tivesse ido dormir. Cedo. Como era de se esperar.
Continuava ali, à cata da idéia que havia fugido, pô-la-ia no papel rapidamente, em riscos rápidos, um rascunho. Depois arrumaria, ajuntaria palavras secas, para dar uma narrativa mais eficaz e prazerosa. Se algum prazer pode dar palavras secas. Refleti sobre isso, já era custoso refletir. Quase amanhecia. Indignei-me, era a ultima chance, os últimos instantes. Dei a mim mais dez minutos, se nada resolvesse parte de mim iria dormir, outra parte sonharia com a idéia perdida. Se viesse em tal sonho, acordaria, e, enfim, pô-la-ia novamente: no papel. O papel, notei estava cheio de riscos, mas nada concreto. Peguei outro, faltavam dois minutos. Já colocava na caneta sua tampa. Faltando segundos dei em guardar o papel sem rabiscos. Levantei, fui pra cama.
Deitado aquilo ainda fulminava meus pensamentos, aonde diabos havia ido parar tal idéia? Não ia dormir, talvez nunca mais, a idéia havia sido boa. Tormento, angústia. Maldição! Exclamei certo momento. Mas já ia me acalmando, os olhos fechando, não pensava mais em idéia. Talvez amanhã, outro dia. Foi de novo a maldição, dessa vez não exclamei. Abri os olhos, como quem ouve grande estouro. Levantei, corri ao papel. A caneta, onde estava a caneta? Me perguntei. Estava ali, na mesa, mas fechada. Irritei-me por tê-la fechado. Havia lembrado, não podia esquecer. Abri a caneta, tremendo. Me pus a escrever. Parei. Qual era a idéia?
Ouvi certa vez algo parecido, um garoto, desses que se vê aos montes em qualquer canto, havia esquecido onde estava. Certo momento lembrou o que era, tentou concertar, mas esqueceu novamente e voltou refletir. Era tal qual minha dúvida, só que muito mais trágico, porém menos enlouquecedor: eu sei do que esqueci. Nesse momento, com o bico de uma caneta que havia na mesa eu risquei, fiz uma linha, mas logo me recompus: amassei, joguei fora. Não podia ser assim, primeiro era idéia, depois era a frase, depois eram os riscos; só pode ser assim. Mas foi uma tentativa.
Esperei horas, não desistiria, a idéia tinha sido boa. Disso me lembrava. Lembrava também que era sobre alguma coisa concreta, algo político, talvez artístico. Vi em pensamento também que no exato instante que fui fazer os riscos, me esqueci. Maldita idéia. Boa idéia seria se todos os bons pensamentos não precisassem ser escritos, já se concretizassem ali, dentro de um papel, no instante em que a lâmpada da idéia se acendesse em nosso espírito. Se ao menos tivesse ido dormir. Cedo. Como era de se esperar.
Continuava ali, à cata da idéia que havia fugido, pô-la-ia no papel rapidamente, em riscos rápidos, um rascunho. Depois arrumaria, ajuntaria palavras secas, para dar uma narrativa mais eficaz e prazerosa. Se algum prazer pode dar palavras secas. Refleti sobre isso, já era custoso refletir. Quase amanhecia. Indignei-me, era a ultima chance, os últimos instantes. Dei a mim mais dez minutos, se nada resolvesse parte de mim iria dormir, outra parte sonharia com a idéia perdida. Se viesse em tal sonho, acordaria, e, enfim, pô-la-ia novamente: no papel. O papel, notei estava cheio de riscos, mas nada concreto. Peguei outro, faltavam dois minutos. Já colocava na caneta sua tampa. Faltando segundos dei em guardar o papel sem rabiscos. Levantei, fui pra cama.
Deitado aquilo ainda fulminava meus pensamentos, aonde diabos havia ido parar tal idéia? Não ia dormir, talvez nunca mais, a idéia havia sido boa. Tormento, angústia. Maldição! Exclamei certo momento. Mas já ia me acalmando, os olhos fechando, não pensava mais em idéia. Talvez amanhã, outro dia. Foi de novo a maldição, dessa vez não exclamei. Abri os olhos, como quem ouve grande estouro. Levantei, corri ao papel. A caneta, onde estava a caneta? Me perguntei. Estava ali, na mesa, mas fechada. Irritei-me por tê-la fechado. Havia lembrado, não podia esquecer. Abri a caneta, tremendo. Me pus a escrever. Parei. Qual era a idéia?
