terça-feira, 15 de julho de 2008

O que é viver


Já me é dificultoso ouvir a canção dos dias e das madrugadas. Não sinto o tato, não vejo os lugares em que vagueiam meus olhares. Sou agora como o homem que não percebe o ato mecânico de viver. O mesmo céu, a mesma terra, os homens bons, as velhas histórias: todos se cansam de meus tão sonhados passos.

Era um menino pouco tempo atrás. Sonhava com amores vindos da vida e por ela idos. Não havia boca, nem mesmo corpo que meus lábios não tocassem. Eram os sonhos. Os sabores distintos, criados pelos homens, enchiam meu espírito de uma vida não sabida. Haveriam ainda terras, cidades encantadas, lugares onde os homens mal sabiam existirem.

Vivo feito morto, cego a tudo, sem braços nem pernas, surdo às canções que sonhara existirem. Andar às ruas é sem sabor, os lábios de uma deusa são como plástico, livres dos sabores adocicados de outrora. O que irá agora preencher os dias não vividos desta vida?

Julguei ter amado o céu, amei e odiei os homens desta terra. Li seus livros, vi suas encenações, enchi da mais pura beleza as horas que agora passam entediantes. Quem dera ser um Fausto, rendido ao desejo de ser a sabedoria e o conhecimento, e ainda assim subir aos céus; redimido de pecados e conhecedor de toda a vida.

Os desígnios traçados me ferem a alma, como hei de ferir o coração da mulher amada. Faltam-me os sonhos de outros tempos, faltam as doçuras desta vida. Desejo o gesto ingênuo do adolescente, em sua busca amarga por respostas. Sonho agora com as brincadeiras daquelas tardes, que traziam o sorriso ao rosto triste desta criança.

Um comentário:

Môni disse...

Triste, espero q vc não mais se sinta assim... apesar das confusões.. apesar de todos os erros cometidos, acho q nosso amor supera
te amo
bjoes